Modelos de análise

Em nossas pesquisas sobre processos flexionais e de formação de palavras, fazemos uso de diversos enfoques teóricos, a depender do objeto de estudo. 

Interface fonologia-morfologia

No âmbito da interface da morfologia com a fonologia, utilizamos os seguintes modelos:

Morfologia autossegmental e geometria de traços

A Morfologia Autossegmental surge como um desdobramento natural da Fonologia Autossegmental; trata-se de uma aplicação, à Morfologia, das noções mais importantes desse primeiro modelo dito não linear. Processos sem encadeamento estrito de formas são muito comuns nas línguas semíticas e os problemas resultantes da análise morfológica dessas línguas levaram John McCarthy a propor uma análise autossegmental para a morfologia, nos moldes do modelo de Fonologia Autossegmental desenvolvido três anos antes. Com base nesse modelo, são investigadas, por exemplo, as alternâncias vocálicas em nomes e verbos no português. 

Morfologia prosódica

A Morfologia Prosódica hipotetiza que moldes e circunscrições são formulados em termos de vocabulário da Prosódia, devendo, por isso, respeitar suas condições de boa-formação. O principal objetivo do modelo é definir o domínio de operações morfológicas não processadas por meio da adição de formativos, isto é, dos casos em que o morfema é interpretado, nos termos de Jensen (1991), não como “coisa”, mas como “regra”. Sendo processual, mas assumindo explicitamente a rubrica “item-e-arranjo” (cf. McCarthy & Prince, 1990), a MP reforça a idéia de uma Morfologia Baseada em Morfemas. Nessa linha de investigação, processos não-concatenativos não necessariamente esvaziam a noção de morfema, que pode ser concebido simplesmente como uma circunscrição efetuada sobre bases. Analisando as representações morfológicas numa dimensão multilinear, a MP consegue formalizar a descontinuidade de operações não-aglutinativas: “itens” podem ser “arranjados” num espaço pluridimensional, levando em conta a integração de primitivos morfológicos com primitivos prosódicos.

Teoria da Otimalidade

A Morfologia Prosódica Otimalista é uma teoria sobre a interface prosódia-morfologia à luz de um ranqueamento de restrições. Essa proposta é baseada na ideia de que fenômenos como reduplicação, infixação e morfologia raiz-e-paradigma (root-and-pattern), entre outros casos de morfologia não concatenativa, resultam da combinação de restrições independentes e gerais, ranqueadas de acordo com os princípios da TO. As assunções básicas desse modelo se encontram estabelecidas em McCarthy & Prince (1993a: 103) da seguinte maneira:

Hipótese da Morfologia Prosódica: moldes são restrições sobre a interface prosódia-morfologia e asseguram a coincidência de condições morfológicas e prosódicas;

 

Condições de satisfação ao molde: restrições sobre o molde podem não ser dominadas, nos casos em que elas são completamente satisfeitas, ou podem ser dominadas, nos casos em que elas são minimamente violadas, seguindo os princípios gerais da Teoria da Otimalidade.

 

Esquema de ranking: P >> M ou M >> P, em que P e M representam, nesta ordem, restrições de natureza prosódica e morfológica.

Processos de afixação / composição

Modelos baseados no uso

Os modelos baseados no uso (usage-based models), ao contrário das abordagens ditas derivacionais, não postulam a existência de regras para obter generalizações sobre os dados linguísticos. Para a Linguística Cognitiva, por exemplo, o que existe são esquemas mentais abstraídos das instâncias reais de uso da linguagem. São esses esquemas os responsáveis pela sanção de novas produções, ou seja, a base do conhecimento linguístico. Consequentemente, a noção de esquema está intimamente ligada à noção de produtividade e ao uso criativo da linguagem. Um esquema linguístico – assim como qualquer outro esquema – é uma abstração. Nesse caso é uma abstração das similaridades existentes entre diversas estruturas linguísticas (Langacker, 1987). Por exemplo, as formas amar, cantar, andar e guardar, por apresentarem uma mesma terminação (-ar), possibilitam a formação de um esquema lingüístico do tipo [X-AR]. Esse esquema, por sua vez, sanciona novas produções tais como deletar e coisar. Não obstante, os esquemas variam quanto ao seu grau de produtividade ou, nos termos da Linguística Cognitiva, quanto ao seu grau de entrincheiramento. Um esquema se torna entrincheirado (ou produtivo) na medida em que cresce o número de instâncias que o elabora. Contrariamente, um esquema baseado em poucas instâncias tende a ser fraco ou pouco produtivo (Taylor, 2002). No âmbito de tais modelos, o NEMP desenvolve estudos, por exemplo, sobre as fronteiras internas da morfologia: flexão-derivação-composição.

Morfologia construcional

Muitas palavras novas são criadas por esquemas de formação que os usuários dominam inconscientemente. A morfologia construcional é um modelo teórico para o tratamento de palavras complexas que os falantes abstraem dos esquemas apreendidos com o uso da linguagem. Idealizada por Geert Booij, da Universidade de Leiden (Holanda), essa abordagem dialoga com modelos de construção gramatical, segundo os quais a língua constitui um inventário estruturado de unidades simbólicas (LANGACKER, 1987) que variam em extensão (desde as mais atômicas às mais complexas) e especificidade (desde os esquemas mais genéricos às instanciações de padrões específicos). Inscrita no paradigma da linguística cognitiva – conjunto mais ou menos homogêneo de abordagens que têm em comum a ideia de que o significado é baseado no uso e na experiência e a gramática é motivada, não havendo limites estanques entre os seus níveis –, a morfologia construcional vem se mostrando bastante eficaz tanto para o tratamento de temas clássicos em morfologia, como a flexão, quando para a discussão da flexibilidade das fronteiras entre os dois principais processos de formação de palavras: a composição e a derivação. 

Morfologia construcional

Muitas palavras novas são criadas por esquemas de formação que os usuários dominam inconscientemente. A morfologia construcional é um modelo teórico para o tratamento de palavras complexas que os falantes abstraem dos esquemas apreendidos com o uso da linguagem. Idealizada por Geert Booij, da Universidade de Leiden (Holanda), essa abordagem dialoga com modelos de construção gramatical, segundo os quais a língua constitui um inventário estruturado de unidades simbólicas (LANGACKER, 1987) que variam em extensão (desde as mais atômicas às mais complexas) e especificidade (desde os esquemas mais genéricos às instanciações de padrões específicos). Inscrita no paradigma da linguística cognitiva – conjunto mais ou menos homogêneo de abordagens que têm em comum a ideia de que o significado é baseado no uso e na experiência e a gramática é motivada, não havendo limites estanques entre os seus níveis –, a morfologia construcional vem se mostrando bastante eficaz tanto para o tratamento de temas clássicos em morfologia, como a flexão, quando para a discussão da flexibilidade das fronteiras entre os dois principais processos de formação de palavras: a composição e a derivação. 

Interface morfologia-semântica

Panorama dos estudos nesta interface

A necessidade de integração da morfologia com a semântica: questões teóricas e principais abordagens linguísticas. O papel do componente semântico em diversos processos de criação lexical do português: as formações agentivas, os mecanismos não concatenativos e a composição. Aspectos semântico-cognitivos presentes na produção lexical – o caso do cruzamento vocabular, da reduplicação e da vogal temática nominal: metáfora, metonímia, polissemia, espaços mentais. 

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